Discussão sobre este post

Avatar de User
Avatar de felipe ocean

Li isso com uma sensação forte de identificação, como se o texto tocasse num lugar muito íntimo. Essa frase inicial, sobre acordar sabendo quem se é e já ter mudado ao longo do dia, fala diretamente dessa instabilidade do eu, dessa identidade que nunca se fixa por completo. Reconheci-me nessa ideia de viver entre o real e o imaginado, usando o devaneio como refúgio quando a realidade se torna pesada demais.

Pensar em Gaston Bachelard faz muito sentido aqui. Ele fala do devaneio não apenas como fuga, mas como um espaço poético da mente, onde a imaginação cria abrigo para a sensibilidade. O problema não está em sonhar acordado, mas em quando esse sonho passa a substituir o mundo, em vez de apenas nos ajudar a suportá-lo. O texto caminha com muito cuidado por essa linha delicada, sem condenar, mas também sem romantizar.

A referência a Dom Quixote é bonita e triste ao mesmo tempo, porque mostra como a fantasia pode dar força e identidade, mas também afastar do cotidiano. Identifiquei-me (muito eu) muito com essa tensão entre precisar imaginar para continuar e perceber quando isso começa a me distanciar de mim mesmo. Seu texto é sensível, humano e necessário, porque trata o devaneio como abrigo, sintoma e questionamento, tudo ao mesmo tempo. Ficou incrível!! 😁

Avatar de O grito de Amelie

Você escreve tão bem. Adorei ler o seu artigo, tem profundidade e é poético

Mais 2 comentários...

Nenhuma publicação

Pronto para mais?